Innotrans: O transport público está no alvorecer da sua revolução digital

Com uma população cada vez maior - mais de 7,5 bilhões de pessoas nesta terra *, mais da metade nas cidades - como poderemos capacita-las a locomoverem-se, preservando os nossos recursos?

A mobilidade de amanhã será ferroviária, aérea ou centrada na estrada? Como as viagens de comboio evoluirão face aos carros autónomos ou táxis voadores? Creio que a nossa prioridade deveria ser transformar os transportes públicos, em particular os caminhos-de-ferro, a espinha dorsal da nossa rede de mobilidade intermodal, dentro e entre cidades, para passageiros e mercadorias. Porque os comboios têm uma capacidade que os veículos autónomos nunca poderão substituir, mas também porque o transporte público é - por razões óbvias - mais sustentável do que carros individuais e transporte rodoviário.

O nosso papel é apresentar soluções de mobilidade mais eficientes e mais sustentáveis. A InnoTrans, a maior feira de tecnologia de transporte do mundo, inaugurada hoje em Berlim, é a oportunidade perfeita para todos os interessados, se reunirem e fazerem exactamente isso.

Digitalizar o transporte público

O mundo dos transportes está à beira de uma "revolução digital" que vai mudá-lo profundamente e que se deve a três grandes inovações.

Primeira inovação: os comboios estão a tornar-se autónomos. Os comboios automatizados já são mais seguros e confiáveis que os tradicionais, possibilitando o aumento da capacidade global da rede; comboios autónomos serão o próximo upgrade. Equipado com um cérebro (inteligência artificial e big data), bem como olhos (radares, lidars, sensores, câmeras) para analisar e entender o seu ambiente, serão capazes de optimizar o consumo de energia e regular a sua velocidade em tempo real, com base na informação de circulação dos restantes comboios rápidos.

    "Os comboios estão a tornar-se autónomos"

Terão a capacidade de se aproximarem um do outro com melhor controlo e segurança, o que significa que mais comboios poderão circular na mesma linha. E como a maioria destes monitores estará nas próprias carruagens, haverá muito menos necessidade de equipamentos ao longo das linhas e, portanto, menores custos de manutenção. A Thales está actualmente a testar conceitos de comboios autónomos com vários operadores. Há um enorme potencial também para usá-los nas áreas rurais, que viram as suas linhas ferroviárias abandonadas devido a problemas orçamentais.

Tornar o transporte público mais inteligente

A segunda grande inovação virá das infraestruturas inteligentes, possíveis devido à tecnologia da Internet das Coisas (IoT). Isso transformará dispositivos originalmente "silenciosos" ao longo das linhas ou as carruagens em sensores inteligentes, capazes de partilhar os seus dados operacionais. Esta Internet das Coisas da Ferrovia abre imensas possibilidades, como a manutenção preditiva. Isso possibilitará monitorar o equipamento instalado a bordo e ao longo de milhares de quilómetros de linhas em tempo real para detectar os primeiros sinais de um mau funcionamento e substituí-lo antes que ele falhe. Isto não é ficção ciêntífica: actualmente supervisionamos mais de 40.000 dispositivos conectados em tempo real para o nosso cliente Network Rail em Inglaterra.

Na Europa, os operadores ferroviários gastam entre 15 e 25 bilhões de euros por ano na manutenção e renovação de seus equipamentos. Imagine o impacto se os nossos clientes pudessem economizar apenas 1%? Isso representaria entre 150 e 250 milhões de euros de poupança por ano!

Terceira inovação: Centros de Controlo Operacional "inteligentes". Usarão inteligência artificial e big data para analisar a enorme quantidade de dados gerados por sensores em comboios e em equipamentos conectados, além de dados externos, como dados meteorológicos ou geográficos, tudo em tempo real. As autoridades de transportes e os seus clientes colherão benefícios numerosos: as operadoras de transporte terão uma visão global de todas as operações e também poderão mesclar dados provenientes de diferentes fontes - sinalização, videovigilância, emissão de bilhetes - para oferecer aos passageiros um melhor serviço.

    "Os Centros de Controlo Operacional " Smart" vão recorrer à inteligência artificial e ao big data".

Crises ou incidentes serão tratados com mais rapidez e eficiência, graças a uma visão clara e concisa de todas as informações que um operador precisa para tomar as decisões certas no momento certo. Terão como base de apoio as plataformas digitais, com salas de controlo que podem ser operadas no modo Software as a Service (SaaS), para melhor flexibilidade e maior confiabilidade a um custo menor.

IoT, conectividade, big data, inteligência artificial exigirá investimentos significativos. Mas estes só farão sentido se recorrerem a tecnologias de cibersegurança. As partes interessadas no sector de transportes, de fato, enfrentam o grande desafio de proteger as redes contra potenciais terroristas ou hackers, bem como dados de passageiros num mundo cada vez mais conectado e aberto.

    "Será muito mais fácil convencer os utilizadores a usar mais o transporte público e promover modos sustentáveis de transporte se dermos esse salto qualitativo sem precedentes."

As tecnologias que transformarão o transporte público existem. Deixe a InnoTrans ser a oportunidade de demonstrar como estas podem torná-lo mais competitivo, mais sustentável e mais atraente.

 

* de acordo com as Nações Unidas, a estimativa da população global é de 7,55 bilhões, em 1 de julho de 2017.